No dia 6 de Março, na Sala Manoel de Oliveira do Cinema São Jorge, o convite é para viajar pelo repertório de Armandinho num percurso que reinterpreta os seus temas mais emblemáticos em diálogo renovado com o presente sem perder a essência original. Serão também e apresentadas composições pouco conhecidas que revelam novas perspetivas sobre a riqueza e profundidade da sua obra. Como eco da célebre frase de Alfredo Marceneiro - "Silêncio que vai passar Portugal" - proferida numa noite ruidosa de casa de fados para que se respeitasse a atuação de Armandinho, também aqui o silêncio será convite à escuta atenta de um património vivo revestido do olhar e da emoção dos músicos do século XXI.
Assinado por Pedro de Castro, diretor artístico do Festival de Guitarra Portuguesa e do espetáculo Armandinho XXI e Homenagem a António Chainho, este concerto inaugura a 2ª edição do festival reafirmando um dos seus princípios fundamentais: celebrar um nome incontornável da guitarra portuguesa, instrumento que é símbolo de Portugal e de Lisboa. Este ano, a justa homenagem é dedicada a Armando Freire, o eterno Armandinho, figura maior cuja obra moldou de forma indelével a história e a identidade sonora da guitarra portuguesa.
À emoção própria deste espetáculo é adicionada a sentida homenagem a António Chainho. Segundo Pedro de Castro: "Na qualidade de diretor artístico e também guitarrista, senti, com profunda emoção, o súbito desaparecimento de António Chainho, a 27 de janeiro de 2026, precisamente no dia em que celebraria 88 anos. Perante essa perda irreparável, tornou-se para mim imperativo integrar neste concerto uma homenagem a este músico e compositor cuja obra é indissociável da história da guitarra em Portugal". Chainho foi o primeiro guitarrista que após décadas a acompanhar fadistas, escolheu dar "voz" à guitarra como solista - um gesto artístico de enorme significado, que está no cerne do conceito deste festival: afirmar a guitarra portuguesa como protagonista absoluta.
Em palco estarão Pedro de Castro na guitarra portuguesa, André Ramos na viola de fado e Francisco Gaspar no baixo acústico, com as participações de dois novos e promissores talentos, Daniel Freire e Rafael Pacheco. Junta-se a Orquestra de Guitarras do Museu do Fado - com Ricardo Parreira e António Parreira na guitarra portuguesa e João Filipe e Nelson Aleixo na viola de fado - bem como alunos da Escola de Guitarra do Museu do Fado. O espetáculo contará ainda com Fernando Dalcin no bandolim, Armindo Neves na guitarra elétrica, João Barradas no acordeão, Ricardo Toscano no saxofone e a voz de Katia Guerreiro.
ARMANDO FREIRE / "ARMANDINHO"
Armando Freire (Armandinho), compositor obrigatório do repertório da guitarra portuguesa (instrumental e vocal) virtuoso de exceção, foi pioneiro na afirmação de uma linguagem própria, no desenvolvimento técnico do instrumento, na exploração de afinações e na consolidação de um estilo singular que fez escola e influencia gerações. Foi dos primeiros guitarristas a: assumir a guitarra a solo; a efetuar das primeiras gravações do instrumento e a realizar digressões internacionais, projetando além-fronteiras a sonoridade da guitarra portuguesa. Teve ainda um papel determinante na dignificação e valorização dos músicos em Portugal, ao fundar a organização que viria a dar origem à Sociedade Portuguesa de Autores, contribuindo decisivamente para o reconhecimento dos direitos dos artistas e criadores.