Nome obrigatório da música portuguesa, músico, compositor, multi-instrumentista e produtor, Júlio Pereira combina a tradição musical portuguesa com influências contemporâneas e universais. Apesar da forte ligação às raízes e à música tradicional, o seu trabalho procura integrar essa herança nas correntes estéticas contemporâneas.
Começou a tocar bandolim aos 7 anos com o pai e integrou bandas como Xarhanga e Petrus Castrus. Após a Revolução de Abril de 1974, colaborou com alguns dos mais importantes músicos portugueses, destacando-se a parceria com José Afonso, com quem trabalhou regularmente em concertos internacionais e na produção dos seus últimos discos. Na década de 1980, trabalhou também com teatro e lançou os seus primeiros álbuns a solo. Em 1981, o disco Cavaquinho marcou um ponto de viragem na música portuguesa instrumental, recebendo vários prémios e afirmando-o como instrumentista de referência. Entre 1983 e 2003 editou diversos álbuns, alguns premiados, e colaborou com artistas internacionais como Kepa Junkera, Pete Seeger e The Chieftains (com quem ganhou um Grammy em 1995).
Participou em projetos de cinema (como o filme Fados, de Carlos Saura), criou espetáculos internacionais e continuou a explorar diferentes instrumentos e estilos musicais. Nos anos 2000 e 2010, lançou novos trabalhos como Geografias, Graffiti (com participação de artistas internacionais) e Cavaquinho.pt, reforçando a valorização deste instrumento. Fundou também a Associação Cultural Museu do Cavaquinho.
Foi distinguido com importantes prémios, incluindo a Medalha de Honra da Sociedade Portuguesa de Autores e o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. Ao longo da sua carreira, lançou cerca de 20 álbuns a solo e participou em cerca de 80 projetos de outros artistas.