30 mai - 21h30

Pedro Caldeira Cabral | Antologia da Cítara Portuguesa

Palco das Artes

Antologia da Cítara Portuguesa
Pedro Caldeira Cabral - Cítara portuguesa
Duncan Fox - Contrabaixo

A Cítara Portuguesa tem vindo a despertar um interesse crescente por parte do público atento à fruição de géneros musicais diferentes do seu uso popular. A nova designação que propomos para o instrumento funda-se na sua origem mais remota (na família das Liras), e na necessidade da sua revalorização social em harmonia com a designação organológica mais correta e internacionalmente aceite. Em consequência do interesse assinalado é cada vez mais frequente a sua apresentação em salas de concerto e em festivais de música clássica por todo o mundo. Para tal temos contribuído, desde a década de 1970, com a criação de um novo repertório solístico alargado, constituído por composições originais e transcrições de peças de música do passado, estas originalmente concebidas para instrumentos de corda dedilhada da tradição europeia, como a cítara, o alaúde, a viola de mão, ou os de tecla como o cravo e o pianoforte, de cuja identidade tímbrica se aproxima.

A Cítara é conhecida em Portugal desde o século XVI, sendo principalmente tocada nos meios aristocráticos e monásticos, abrangendo o seu repertório vários géneros: O acompanhamento do canto, a execução de peças de dança, as versões transcritas de canções polifónicas, simples ou glosadas e de fantasias instrumentais a solo. Integrava também frequentemente os conjuntos vocais e instrumentais realizando uma função harmónica e rítmica, a par das violas, da harpa, do cravo e do órgão.

São numerosas as referências à sua utilização ao longo dos séculos XVII, XVIII e XIX, ao seu repertório e às suas técnicas específicas e até a pormenores da sua afinação, em fontes documentais de índole diversa, desde as crónicas à poesia, dos dicionários aos métodos instrumentais, à iconografia, etc.

No seu período de decadência, no início do século XIX, a cítara associa-se á marginalidade social lisboeta que a utiliza para acompanhar a canção urbana que mais tarde seria chamada Fado e, já no século XX, seria convertida na "Canção Nacional". Deste facto resultaria não só a sobrevivência desta prática instrumental como também a revalorização do instrumento, entretanto promovido a símbolo identitário português, fazendo esquecer o seu repertório do passado.

Na actualidade, para além da nossa actividade de investigação, composição e apresentação concertística internacional, estamos empenhados na divulgação do novo repertório, compilado nesta antologia de peças para a cítara portuguesa.

© Pedro Caldeira Cabral 2026

Pedro Caldeira Cabral
Nasceu em Lisboa em 1950. Inicia a aprendizagem musical na infância em ambiente familiar, tocando flauta de bisel, guitarra clássica e cítara portuguesa.

Mais tarde, estuda teoria musical, composição, história da música e música antiga, com os profs. Artur Santos, Jorge Peixinho. Pilar Torres e Santiago Kastner, entre outros.

Desenvolve como compositor, um estilo original próprio para cítara portuguesa solista, compondo também música de câmara para Teatro, Cinema e Bailado.

Fundou e dirige os grupos La Batalla (1984) e Concerto Atlântico (1991) especializados na interpretação de Música Antiga em instrumentos históricos.

Em 1987, funda e dirige o Centro de Estudos e Difusão de Música Antiga, apresentando as primeiras restituições modernas do Cancioneiro de D. Dinis, Cancioneiro de Estevão da Guarda e Cancioneiro de D. João Peres d'Aboim, entre muitos outros programas.

Foi responsável pela direcção artística do Festival de Guitarra Portuguesa na Expo 98, em Lisboa. No âmbito da sua actividade de investigação organológica, a Ediclube publicou em 1999 o livro "A Guitarra Portuguesa", de que é autor.

Em 2002 comissariou a exposição "À Descoberta da Guitarra" no Museu Abade de Pedrosa, integrando o Festival Internacional de Guitarra de Santo Tirso.

Nos anos de 2000 a 2010 dirigiu o Festival de Música Medieval de Carrazeda de Ansiães. Entre 2007/2012 dirigiu o ciclo de concertos "O Som das Musas", em Vila Flor.

Fez a curadoria da exposição "O Som da Saudade-A Cítara Portuguesa" apresentada no Museu do Fado, em Lisboa, em 2019.

Da sua vasta e variada discografia, salienta-se a concepção e publicação de dezasseis CDs como solista de cítara portuguesa, para as editoras internacionais EMI, RCA, GHA, BMG, FENN- Musik e para as nacionais Tecla, Orfeu, Radical Media, Foco Musical, Tradisom, Primetime, etc.

Prepara actualmente a publicação de um novo livro da sua autoria intitulado "Instrumentos Musicais Populares em Portugal". Tem-se apresentado na qualidade de solista em inúmeros concertos nas principais salas e festivais da Europa, EUA, Hawaii, Turquia, Tunísia, Marrocos, Colombia, Brasil e China.

Duncan Fox
Nasceu em Inglaterra em 1970, tendo feito estudos musicais entre 85 e 88 na Junior School-Royal Academy of Music, frequentando a classe de Contrabaixo sob orientação do professor Emmanuel Shulmann.

Entre 88 e 92 efectuou estudos superiores no Royal Northern College of Music em Manchester, trabalhando o Contrabaixo (Prof.Duncan Mc Tier), o Piano (David Lloyd) e a Viola da Gamba (Richard Boothby).

Em 2013 concluiu o mestrado em Ensino da Música na Escola Superior de Música de Lisboa, com uma tese sobre o Ensino da Criatividade.

Integrou a Manchester Camerata, Goldberg Ensemble e a Opera North Orchestra.

Desde 1993 vive e trabalha em Lisboa, integrando a Orquestra Sinfónica Portuguesa (Coordenador de Naipe Adjunto), o Concerto Atlântico e o Trio de Pedro Caldeira Cabral.

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